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Como escolher data logger de pressão e nível: 7 pontos para checar antes de comprar

O poço de monitoramento fica a 40 km do escritório, o acesso é por estrada de terra e a próxima visita só acontece daqui a três meses. Quando o técnico abrir a tampa, ou os dados estão lá, completos e coerentes, ou o trimestre inteiro se perdeu. É nessa hora que se descobre se a compra foi bem pensada. Saber como escolher data logger de pressão e nível é, na prática, responder antes da compra às perguntas que o campo vai fazer depois.

Este guia trata de data loggers autônomos para pressão hidrostática, nível de água e temperatura, como a linha DCX da KELLER. Se a sua necessidade é monitorar temperatura e umidade de carga em transporte, o equipamento é outro e os critérios abaixo não se aplicam. Para entender o conceito básico antes de escolher, veja o que é data logger e como ele funciona.

1. Faixa de medição e tipo de referência

Um data logger de nível mede pressão e converte em coluna d'água: cerca de 1 bar para cada 10 m de coluna. A faixa deve cobrir a maior coluna esperada com alguma folga, sem exagero, porque a precisão é expressa em % do fundo de escala (%FS). Uma faixa grande demais desperdiça resolução.

No DCX-22, por exemplo, as faixas padrão são estas (dados do datasheet KELLER):

Coluna d'águaVersão absoluta (DCX-22 / SG)Versão relativa (DCX-22 VG)
10 mWC0,8…2 bar abs.1 bar
20 mWC0,8…3 bar abs.2 bar
50 mWC0,8…6 bar abs.5 bar
100 mWC0,8…11 bar abs.10 bar

A sobrepressão admissível é de 2 vezes a faixa. Outras faixas podem ser fornecidas sob encomenda.

Compensação barométrica: a pergunta que mais se esquece

Um sensor absoluto enxerga a coluna d'água somada à pressão atmosférica. Quando o tempo muda e a pressão atmosférica sobe 10 mbar, a leitura sobe o equivalente a cerca de 10 cm de água, sem que o nível tenha mudado um milímetro. Em monitoramento de poço ou piezômetro, isso pode comprometer a série histórica se não for compensado. Há três caminhos para resolver:

2. Precisão: leia o número certo no datasheet

"Alta precisão" no catálogo não diz nada. O que importa é a margem de erro total, que soma linearidade e erro de temperatura, e a faixa de temperatura em que ela vale. Na família DCX, o datasheet informa:

Exemplo: na versão VG de 1 bar (10 mWC), 0,1 %FS equivale a 1 mbar, ou cerca de 1 cm de coluna d'água. Na versão VG de 10 bar (100 mWC), o mesmo 0,1 %FS vira cerca de 10 cm. Ou seja, na versão VG, se a coluna máxima do seu poço é de 8 m, comprar a faixa de 100 mWC "para garantir" multiplica por dez a incerteza da medição (nas versões absolutas, de 2 para 11 bar abs., o fator é de cerca de 5,5). Escolha a menor faixa que cubra a coluna máxima com folga.

3. Memória e intervalo de registro

A memória é finita, e o intervalo de registro define quanto tempo ela dura. Na configuração padrão, DCX-22, DCX-22 AA, DCX-16 e DCX-25 PVDF gravam até 57.000 medições com intervalo de até 15 s, ou 28.000 medições com intervalos maiores, em memória não volátil (os dados não se perdem se a pilha acabar). O DCX-25 PVDF tem ainda a opção de registro duplo, com 114.000/56.000 medições. Fazendo as contas para a memória padrão:

IntervaloMedições na memóriaDuração até encher
10 s57.000≈ 6,6 dias
1 min28.000≈ 19 dias
5 min28.000≈ 97 dias
15 min28.000≈ 292 dias
1 h28.000≈ 3,2 anos

Escolha o intervalo pela velocidade do fenômeno que você quer ver, não pelo "quanto mais, melhor". Nível de lençol freático varia devagar; rebaixamento em teste de bombeamento muda em segundos. A alternativa ao intervalo fixo é o registro por evento: o logger grava quando a pressão muda além de um limite, ultrapassa um valor superior ou inferior ou se afasta da média de um número de medições, e também pode combinar intervalo fixo com evento. Detalhamos essa escolha em registro por intervalo ou por evento sem lotar a memória.

4. Autonomia da pilha

A autonomia sempre vem atrelada a um ritmo de medição. Leia as duas coisas juntas:

O próprio datasheet avisa que influências externas podem reduzir essa vida útil, e medir a cada poucos segundos consome muito mais que medir de hora em hora. Note também, pela tabela anterior, que a 1 medição por hora a memória padrão enche em pouco mais de 3 anos, antes da pilha. Memória e pilha juntas definem a frequência de visita ao ponto.

5. Instalação, submersão e material

Aqui o formato do logger pesa tanto quanto a eletrônica:

Se além do nível você precisa acompanhar a qualidade da água, existem versões CTD do DCX-22 que registram também a condutividade, útil para detectar, por exemplo, intrusão de água salgada em aquífero.

6. Coleta em campo ou telemetria

Na instalação convencional, alguém vai até o ponto, conecta o notebook ao cabo conversor e transfere os dados. É simples e barato por ponto, mas cada leitura custa um deslocamento. Quando a visita ao ponto é cara ou você precisa saber de uma anomalia antes da próxima coleta, avalie a telemetria logo no início do projeto, porque ela afeta a montagem no poço. Consulte a equipe técnica sobre as opções de transmissão remota disponíveis para a linha DCX.

7. Software de configuração e leitura

O logger é tão útil quanto o software que o configura. Os DCX trabalham com o software Logger da KELLER, fornecido com o cabo conversor (USB). Pelo datasheet, ele se divide em dois módulos:

Cada arquivo carrega número de série, intervalo de medição, identificação do instrumento e dados da instalação, além de cada valor com data e hora.

Checklist rápido antes de pedir o orçamento

PerguntaPor que importa
Qual a coluna d'água máxima e mínima?Define a faixa; faixa grande demais aumenta a incerteza em cm
Preciso compensar a pressão atmosférica?Escolhe entre absoluto + barômetro, VG ou AA
O ambiente do poço é úmido ou sofre alagamentos curtos?Capilar de ventilação pode sofrer; o AA dispensa o capilar (faixas padrão até 10 m.c.a.)
Qual a velocidade do fenômeno?Define intervalo ou evento, e daí memória e pilha
Qual o diâmetro do tubo de acesso?16, 22 ou 25 mm
O fluido é corrosivo?Inox 316L ou PVDF com membrana especial
Vou buscar os dados no local ou à distância?Coleta manual ou telemetria (consulte as opções)
Quem vai configurar e ler os dados?Software Logger e cabo conversor entram no pedido

Para comparar os modelos lado a lado, veja a linha de data loggers KELLER.

Quando um data logger submersível não é a resposta

Vai instalar data loggers em poços, piezômetros ou reservatórios e quer acertar faixa, compensação e forma de coleta? Conheça o DCX-22 e fale com a equipe técnica da Kelltech, distribuidora oficial da KELLER no Brasil, para dimensionar a sua aplicação.

Fale com um especialista e encontre o produto certo para a sua aplicação.Equipe técnica da Kelltech, distribuidora oficial KELLER no Brasil.

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