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Transmissor de pressão na indústria de alimentos: como especificar para CIP, SIP e processo higiênico

O transmissor da linha de envase lê certo durante a produção. Depois vem o CIP com solução alcalina quente, a linha esfria e, na manhã seguinte, o zero está deslocado. Semanas depois, aparece resíduo de produto preso na rosca da tomada. Nenhum dos dois casos é "sensor ruim": são erros de especificação. Escolher um transmissor de pressão para a indústria de alimentos exige olhar para pontos que um projeto industrial comum deixa passar: a geometria da conexão, os ciclos de limpeza e esterilização, a temperatura que o instrumento enfrenta e o que acontece se a membrana romper.

O que o transmissor mede (e o que ele não mede)

Um transmissor de pressão converte a pressão do processo em um sinal padronizado, como 4…20 mA, 0…10 V ou uma saída digital RS485, que vai para o CLP ou para o supervisório. Ele mede pressão. É comum ler que o transmissor "detecta a temperatura" do alimento; isso está errado.

A confusão tem uma origem: vários modelos têm um sensor de temperatura interno. Na Série 35 X HT, por exemplo, há um sensor de temperatura independente integrado no chip de silício, que fornece a temperatura usada para corrigir a medição de pressão. Na Série 35 X HTC, o software PROG30 também mostra a temperatura da eletrônica, o que permite verificar se ela está abaixo de 120 °C. A temperatura do produto continua sendo medida por um sensor de temperatura dedicado.

Onde a pressão é medida numa planta de alimentos e bebidas

Em utilidades sem contato com o produto, como ar comprimido ou vapor de aquecimento, um transmissor industrial comum costuma resolver. No vapor, ele vai montado com sifão (rabo de porco), para que o sensor receba condensado e não vapor quente. Nos pontos em contato com o produto, valem os critérios a seguir.

Conexão de processo: por que a membrana faceada importa

Em uma conexão roscada macho convencional, a membrana fica no fundo de um canal, e é ali que leite, molho, polpa ou xarope se acumulam. A solução de limpeza circula na tubulação, mas mal renova o líquido do canal. O resultado é resíduo, possível foco de contaminação e, com produtos viscosos, entupimento.

Na membrana faceada (também chamada de rente ou flush), a membrana fica no mesmo plano da conexão, sem cavidade na frente. A Série 23/25 da KELLER mostra bem a diferença: a Série 23 tem conexão de pressão macho; a Série 25 tem membrana faceada, com rosca G 1/2" ou G 3/4".

A instalação pesa tanto quanto o instrumento:

CIP e SIP: o instrumento precisa sobreviver à limpeza

A limpeza no local (CIP) passa soluções alcalinas e ácidas quentes pela linha, seguidas de enxágue. A esterilização no local (SIP) usa vapor, em geral mais quente que o próprio processo. Para o transmissor, isso significa quatro desafios:

  1. Ataque químico às vedações: nas séries citadas, as partes molhadas padrão são aço inox 316L e vedação Viton. Confirme a compatibilidade da vedação com os químicos, as concentrações e o vapor do seu ciclo. As 35 X preveem outros materiais, óleos e roscas como opção.
  2. Choque térmico: a passagem de produto frio para solução quente e de volta desloca o zero de sensores mal compensados. Por isso a faixa de temperatura compensada precisa cobrir todo o ciclo, não só a produção.
  3. Temperatura da eletrônica: nas Séries 35 X HT e 35 X HTC, o meio pode estar mais quente, mas a eletrônica não deve passar de 120 °C. Isso define a montagem.
  4. Vácuo no resfriamento: depois do SIP, o vapor condensa e pode gerar vácuo na linha ou no tanque. Uma faixa que começa em -1 bar, ou pelo menos a confirmação de que o sensor tolera vácuo, evita surpresa.

Há ainda a lavagem externa. O grau de proteção padrão dessas séries é IP65. Como opção, o datasheet da 35 X HTC prevê IP67, e os da 35 X HT e da Série 25 preveem IP67 e IP68 (versão com cabo). Onde a lavagem externa é frequente, avalie a opção de maior proteção.

Compensação de temperatura: leitura que não deriva

O sensor piezorresistivo de silício é sensível à temperatura: sem compensação, zero e sensibilidade mudam quando o processo esquenta ou esfria. Na família 30 da KELLER (que inclui a 35 X HT e a 35 X HTC), a compensação é matemática. O microprocessador lê o sinal do sensor e a temperatura e resolve um polinômio P(S,T) com coeficientes gravados em EEPROM na calibração de fábrica. Por isso a margem de erro do datasheet já inclui a influência da temperatura.

Exemplo: quanto vale o %FS na prática

A margem de erro é dada em % do fundo de escala (%FS). Para converter em unidade de pressão: erro = (%FS ÷ 100) × fundo de escala.

Num transmissor de 30 bar instalado numa linha de 2 bar, os mesmos 0,2 %FS viram ±0,06 bar, ou 3% da leitura. Superdimensionar a faixa "por segurança" desperdiça precisão.

Fluido de enchimento: a pergunta que ninguém faz até a membrana romper

Nos sensores piezorresistivos, a pressão chega ao chip de silício através de um óleo selado atrás da membrana. Na Série 35 X HTC, esse óleo fica em um capilar que funciona como espiral de refrigeração, o que permite que o meio chegue a 300 °C enquanto a eletrônica fica abaixo do seu limite.

Se a membrana for danificada (ferramenta na limpeza, produto abrasivo, sobrepressão), esse óleo vai para o produto. Por isso o fluido de enchimento faz parte da especificação para alimentos. O datasheet da Série 23/25 lista o azeite de oliva como opção de óleo de enchimento, ao lado do óleo fluorado (para oxigênio) e do óleo para baixa temperatura. Peça a opção adequada no orçamento.

Séries KELLER para avaliar

As três séries abaixo são pontos de partida, não uma recomendação fechada: a escolha depende do ponto de medição, do ciclo de limpeza e do padrão de conexão da planta. Dados dos datasheets KELLER:

SériePara que foi pensadaTemperaturaPrecisãoFaixas e saídas
35 X HT / HTTBiorreatores e autoclaves; pode operar continuamente ou ser esterilizada, inclusive a eletrônicaTrabalho -20…150 °C; eletrônica máx. 120 °C0,15 %FS digital; 0,2 %FS analógica (20…120 °C), já com a influência da temperaturaPadrão de -1 a 30 bar; 4…20 mA, 0…10 V e RS485
35 X HTCBiotecnologia e indústria de alimentos com meio muito quenteMeio 0…300 °C; eletrônica 0…120 °C0,5 %FS (20…300 °C), já com a influência da temperaturaPadrão de 3 a 1000 bar; 4…20 mA, 0…10 V e RS485
Série 25 (família 23/25)Membrana faceada, rosca G 1/2" ou G 3/4"; opção de enchimento com azeite de olivaFaixa compensada -10…80 °C±0,2 %FS típ. / ±0,5 %FS máx. (linearidade + histerese + repetibilidade), mais os coeficientes de temperatura de zero e sensibilidade, à parte no datasheet0,2 a 1000 bar; 4…20 mA, 0…20 mA, 0…10 V

A Série 25 atende pontos com produto em temperatura moderada. Onde há SIP com vapor, a faixa de temperatura dela não cobre o ciclo, e a 35 X HT ou a 35 X HTC são os pontos de partida. Para a 35 X HTC, o datasheet exige instalação na posição horizontal, para dissipar calor, e a espiral de refrigeração à temperatura ambiente.

Checklist antes de pedir o orçamento

  1. Faixa de pressão: operação normal, picos de partida de bomba e fechamento de válvula, e vácuo no resfriamento pós-SIP.
  2. Temperatura do meio: na produção, no CIP e no SIP.
  3. Temperatura no corpo do transmissor: perto de tanque quente, dentro de painel, ao sol.
  4. Conexão: membrana faceada nos pontos com produto; padrão de conexão exigido pela planta.
  5. Materiais: partes molhadas e vedação frente aos químicos de limpeza.
  6. Fluido de enchimento: compatível com alimento onde houver risco de contato.
  7. Grau de proteção: compatível com a rotina de lavagem externa.
  8. Sinal: 4…20 mA para o CLP, saída digital se quiser ler vários pontos em rede.
  9. Documentação: se o seu sistema de qualidade pede rastreabilidade, a Kelltech emite certificado de calibração rastreado, mediante solicitação; veja como funciona a calibração.

Tem um ponto de medição em linha de produto, CIP ou esterilização e quer saber qual configuração atende? Veja a linha de transmissores de pressão KELLER e fale com a equipe técnica da Kelltech, distribuidora oficial da KELLER no Brasil, com faixa, temperaturas do ciclo e tipo de conexão em mãos.

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