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Transmissor de pressão industrial: como escolher o modelo KELLER para cada aplicação

A requisição chegou ao comprador assim: "transmissor de pressão, 4…20 mA, 0 a 10 bar". Parece suficiente, mas não é. Falta dizer se a pressão é relativa ou absoluta, qual a temperatura do fluido, se o produto pode ficar retido numa cavidade da conexão, que sinal o sistema lê e se o ponto fica em área com risco de explosão. Cada resposta muda o modelo de transmissor de pressão industrial indicado.

Este guia organiza a linha de transmissores KELLER por aplicação: as perguntas que definem a escolha, uma tabela de referência, o que diferencia cada série e os erros mais comuns na especificação.

O que o transmissor entrega

O transmissor combina um sensor (piezorresistivo ou capacitivo, nos modelos KELLER) com uma eletrônica que entrega o sinal num padrão que o controle entende: 4…20 mA, 0…10 V ou, em vários modelos, comunicação digital RS485. A base sobre funcionamento e tipos está em o que são transmissores de pressão e como funcionam. Aqui o foco é a escolha. Todos os modelos citados são da KELLER, com sede em Winterthur (Suíça) e unidade em Jestetten (Alemanha), empresas com ISO 9001.

Cinco perguntas antes de escolher

  1. Qual a referência de pressão? A KELLER usa prefixos: PR (relativa, zero na pressão atmosférica), PA (selada, zero a 1 bar absoluto), PAA (absoluta, zero no vácuo) e PD (diferencial). Revise os conceitos em pressão absoluta, manométrica e diferencial.
  2. Qual a faixa e a sobrepressão? Escolha o fundo de escala pela pressão de trabalho e confira no datasheet a sobrepressão suportada.
  3. Qual a temperatura do meio? É ela que separa um modelo de uso geral de um modelo para esterilização ou processo quente.
  4. Que sinal o sistema lê? 4…20 mA a 2 fios é o padrão de campo; 0…10 V a 3 fios aparece em painéis e máquinas; RS485 permite leitura digital e reprogramação.
  5. Onde fica instalado? Grau de proteção (IP), materiais em contato, submersão e atmosfera explosiva.

Modelos KELLER por aplicação

ModeloDestaqueFaixas padrãoSaídasAplicação típica
Série 23 / 25Piezorresistivo; 25 com membrana faceada-1 a 1000 bar (PA até 1000 bar; PR, PAA e PD-23 até 20 bar)4…20 mA, 0…20 mA ou 0…10 VUso industrial geral, líquidos ou gases
Série 33X / 35XMicroprocessador, compensação polinomialPR até 30 bar; PA/PAA até 1000 barRS485 + 4…20 mA ou 0…10 VAlta precisão, bancadas, referência
Série 35 X HT(T)Compensado até 150 °C (eletrônica máx. 120 °C)-1 a 30 barRS485 + 4…20 mA ou 0…10 VBiorreatores e autoclaves
Série 35 X HTCCapilar de resfriamento3 a 1000 barRS485 + 4…20 mA ou 0…10 VBiotecnologia e alimentos, meio até 300 °C
Série 41XCapacitivo, célula cerâmica30, 100 e 300 mbar (PR ou PD)RS485 + 4…20 mA ou 0…10 VBaixa pressão relativa ou diferencial (PD: referência só gases secos)
Série 46XCapacitivo submersível, IP6830, 100 e 300 mbarRS485 + 4…20 mA ou 0…10 VNível de água
4LC…9LCMiniatura OEM1 a 1000 bar0,5…4,5 V raciométricaIntegração em máquinas

Dados dos datasheets KELLER. Faixas intermediárias e outras opções, sob encomenda.

Série 23/25: o transmissor de uso geral

Para a maioria dos pontos de processo, em líquidos ou gases, a Série 23/25 é o ponto de partida. A 23 tem rosca macho G 1/4"; a 25 tem membrana faceada (G 1/2" ou G 3/4"), em geral indicada quando o fluido é viscoso, carrega sólidos ou não pode ficar retido numa cavidade da conexão. O conceito modular permite combinar conexões, sinais, materiais e óleos de enchimento.

Série 33X/35X: quando a precisão manda

A 33X (rosca G 1/4") e a 35X (G 1/2", membrana faceada) têm microprocessador que corrige matematicamente a influência da temperatura e a não linearidade do sensor. Na saída RS485, a margem de erro é de 0,05 %FS entre 10 e 40 °C; sob encomenda, as PA(A) 33X chegam a 0,01 %FS. A saída analógica sai de um conversor D/A de 16 bits e fica em 0,1 %FS na mesma faixa de temperatura.

Com o software PROG30 e um conversor RS485, a saída analógica pode ser reprogramada para qualquer intervalo dentro da faixa compensada, e o barramento RS485 aceita até 128 transmissores. É a série para bancadas de teste, medições de referência e processos em que décimos de ponto percentual pesam.

Essa ligação com o computador vale para toda a família com interface RS485: 33X/35X, 35 X HT(T), 35 X HTC, 41X e 46X. Com um conversor KELLER (por exemplo, o K-104, conversor USB-RS485, ou o K-107), o software READ30 mostra a pressão em gráfico e registra as medições, lendo até 16 transmissores numa mesma ligação em série, e o PROG30 ajusta zero, fundo de escala, unidades e a saída analógica.

Processos quentes: 35 X HT(T) e 35 X HTC

35 X HT(T): biorreatores e autoclaves

A Série 35 X HT(T) foi projetada para reatores biológicos e autoclaves: é compensada até 150 °C e, segundo o fabricante, pode operar continuamente ou ser esterilizada, inclusive a eletrônica. Um sensor de temperatura independente fica integrado ao chip de silício. Faixas padrão de -1 a 30 bar, relativa ou absoluta; margem de erro de 0,15 %FS na saída digital e 0,2 %FS na analógica, especificada entre 20 e 120 °C. Como o datasheet limita a eletrônica a 120 °C, confira o seu ciclo de esterilização com a equipe técnica.

35 X HTC: meio até 300 °C

Acima de 150 °C, a solução é afastar a eletrônica do calor. Na 35 X HTC, a pressão chega ao sensor por um capilar com óleo que funciona como espiral de resfriamento. O meio pode chegar a 300 °C, desde que a eletrônica não passe de 120 °C (temperatura legível pelo PROG30), e a montagem deve ser horizontal. Faixas de 3 a 1000 bar; margem de erro de 0,5 %FS com o meio entre 20 e 300 °C.

Baixa pressão: os capacitivos 41X e 46X

Série 41X: baixa pressão relativa ou diferencial

Célula cerâmica com eletrônica digital: faixas de 30, 100 e 300 mbar, relativas ou diferenciais, resolução de até 1 µbar e margem de erro típica de ±0,1 %FS na saída 4…20 mA (10 a 50 °C). A saída pode ser ajustada dentro da faixa base; o datasheet cita uma base de 100 mbar com 4…20 mA para 20…60 mbar. Dois cuidados: na versão PD, a tomada de referência aceita só gases secos não agressivos, e a proteção padrão é IP40, com versão IP67 sob encomenda. Para pressões maiores ou diferencial com líquido dos dois lados, o fabricante indica a Série 33X ou a Série 39X (PD-39X no catálogo).

Série 46X: nível de água

A mesma célula cerâmica num corpo submersível IP68 mede nível de água pela pressão hidrostática; na versão relativa, um capilar no cabo leva a referência atmosférica ao sensor. Faixas de 30, 100 e 300 mbar (300 mbar equivalem a cerca de 3 m de coluna d'água), maiores até 10 bar sob encomenda, cabo padrão de 5 m e membrana cerâmica banhada a ouro. Veja a sonda de nível Série 46X.

Integração em equipamentos: 4LC…9LC

Para quem fabrica máquinas, a linha 4LC…9LC é um transmissor completo numa cápsula miniatura selada e preenchida com óleo, com corpos de ø11 a ø19 mm (a 9 FLC tem flange de ø21 mm). Faixas de 1 a 1000 bar, sensor que trabalha de -40 a 150 °C e saída raciométrica de 0,5…4,5 V com alimentação de 5 V, protegida contra polaridade inversa e sobretensão de até ±33 VDC. A precisão é de ±0,25 %FS máximo; a margem de erro total vai de ±0,8 a ±2,5 %FS conforme o modelo. É um componente para integrar, não para instalar direto na linha de processo.

Versões Ei: certificação ATEX, não Inmetro

Várias séries têm versão intrinsecamente segura (sufixo Ei). A 41X Ei e a 46X Ei, por exemplo, têm marcação II 1/2 G Ex ia IIC T4 e certificado PTB 06 ATEX 2011, e só devem ser usadas em conjunto com outros equipamentos intrinsecamente seguros certificados. Essa certificação é europeia. Nenhum desses modelos tem certificação Inmetro, exigida no Brasil para equipamentos elétricos em atmosferas explosivas; portanto, não devem ser especificados para área classificada no país. Se o seu ponto estiver numa área assim, fale com a equipe técnica para avaliar a aplicação. O conceito está em transmissores de pressão com segurança intrínseca.

Leitura local e sinal ao mesmo tempo

Quando o operador precisa ler a pressão no campo e o CLP precisa do sinal, a opção é o LEO 3: um manômetro digital alimentado pelo laço 4…20 mA, com RS485, faixas de 0…4 bar absolutos a 0…1000 bar e margem de erro total abaixo de 0,2 %FS entre 0 e 50 °C.

Erros comuns na especificação

Tem um ponto de medição para especificar? Envie faixa, fluido, temperatura e o sinal que o seu sistema lê. A Kelltech, distribuidora oficial da KELLER no Brasil, ajuda a escolher entre os transmissores de pressão KELLER: fale com a equipe técnica.

Fale com um especialista e encontre o produto certo para a sua aplicação.Equipe técnica da Kelltech, distribuidora oficial KELLER no Brasil.

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