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Transmissor digital de pressão: como funciona a saída RS485 e quando usar no lugar do 4…20 mA

O engenheiro de processo precisa levar a pressão de uma bancada de ensaio para o PC e, ao mesmo tempo, manter o sinal 4…20 mA que já alimenta o CLP. Com um transmissor analógico comum, cada conversão (sensor, amplificador, conversor do cartão de entrada) soma um pouco de erro, e trocar a faixa ou a unidade exige recalibrar. Um transmissor digital de pressão resolve parte desse problema na origem: o próprio instrumento calcula a pressão e entrega o valor por uma interface digital, além da saída analógica.

A seguir, o que muda de fato em um transmissor com saída digital, como a KELLER implementa isso na Série 33 X / 35 X, como levar as leituras para o computador e por que um manômetro com interface, como o LEO 3, é outro tipo de equipamento.

O que é um transmissor digital de pressão

Todo transmissor tem um elemento sensor (na Série 33 X / 35 X, um sensor piezorresistivo montado de forma flutuante) e uma eletrônica que transforma o sinal do sensor em uma saída padronizada. Se você quer revisar o básico, veja o que são transmissores de pressão e como funcionam.

No transmissor digital, essa eletrônica é baseada em um microprocessador; na Série 33 X / 35 X, ele trabalha com conversor A/D de 16 bits. O microprocessador lê o sinal do sensor e a temperatura, calcula a pressão por um modelo matemático e só então gera as saídas. Duas coisas definem a categoria:

Como funciona a compensação polinomial

Na fábrica, o transmissor é medido em vários níveis de pressão e temperatura. Com os valores do sinal do sensor (S), da temperatura (T) e da pressão de referência, são calculados coeficientes gravados na EEPROM do microprocessador. Em operação, o transmissor resolve a equação:

P(S,T) = A(T)·S0 + B(T)·S1 + C(T)·S2 + D(T)·S3

Os coeficientes A(T) a D(T) também dependem da temperatura. Segundo o datasheet, cálculos e conversões são feitos pelo menos 400 vezes por segundo. É essa correção que permite à Série 33 X chegar a uma margem de erro de 0,05 %FS na saída digital, sem ajustes analógicos.

Saída RS485 ou 4…20 mA: o que muda na precisão

A saída analógica é gerada por um conversor D/A de 16 bits a partir do valor já calculado. Essa etapa extra soma cerca de 0,05 %FS ao erro. Por isso o mesmo transmissor tem números diferentes conforme a saída usada:

Saída (Série 33 X / 35 X)AlimentaçãoMargem de erro 10…40 °CMargem de erro -10…80 °C
Digital RS4858…28 V0,05 %FS0,1 %FS
4…20 mA (2 fios)8…28 V0,1 %FS0,15 %FS
0…10 V (3 fios)13…28 V0,1 %FS0,15 %FS
0…2,5 V / 0…5 V (3 fios)6…28 V / 8…28 V0,1 %FS0,15 %FS

Em números: em um transmissor de 10 bar, 0,05 %FS equivale a ±5 mbar; 0,1 %FS, a ±10 mbar. Ainda falta somar o erro do cartão de entrada do CLP, que a leitura digital elimina. Para entender bem a diferença entre %FS e % da leitura, veja o artigo sobre precisão em % do fundo de escala.

Um ponto prático: a interface digital está disponível em todos os transmissores da série com saída analógica. Você pode ligar o 4…20 mA ao CLP e usar o RS485 para configurar o transmissor ou registrar dados no PC. O datasheet avisa, porém, que podem ocorrer interferências no sinal 4…20 mA durante a comunicação pela porta RS485. Se o laço analógico controla o processo, evite comunicação contínua pelo RS485 nesse mesmo instrumento.

Exemplo: carga máxima no laço 4…20 mA

Na versão de 2 fios, a resistência de carga deve ser menor que (U − 8 V) / 0,025 A. Exemplo: com fonte de 24 V, (24 − 8) / 0,025 = 640 Ω. Esse valor precisa cobrir a entrada do CLP, eventuais indicadores em série e a resistência do cabo.

Série 33 X / 35 X: especificações principais

A diferença entre os modelos está na conexão de processo: a Série 33 X / 35 X traz a 33 X com rosca G 1/4" e a 35 X com rosca G 1/2" e membrana faceada (alinhamento frontal).

ItemValor (datasheet KELLER)
Faixas relativas (PR 33 X / PR 35 X)1, 3, 10 e 30 bar
Faixas absolutas (PA / PAA 33 X e 35 X)0,8…1,2 bar; 1; 3; 10; 30; 100; 300; 700 e 1000 bar
ReferênciaPR: relativa à atmosfera · PA: selada, zero a 1000 mbar abs · PAA: absoluta, zero no vácuo
Margem de erro, saída digital0,05 %FS (10…40 °C); opcional 0,01 %FS em versões PA(A) 33 X
Resolução0,002 %FS
Frequência de amostragem400 Hz
Conexão elétricaConector MIL C-26482 (6 polos), Binder 723 (5 polos) ou DIN 43650 (4 polos)
ProteçãoIP65; opcional IP67 ou IP68 (com cabo)
Partes molhadasAço inox AISI 316L / Viton
Peso33 X: 140 g · 35 X: 160 g

Faixas intermediárias para a saída analógica são obtidas a partir das faixas padrão, programando a saída dentro do intervalo compensado. Existe também a versão diferencial PD-33 X, com faixas de 1 a 30 bar.

Como levar as leituras para o PC

A ligação física é feita por um conversor KELLER: RS232-RS485 (K-102 ou K-107) ou USB-RS485 (K-104 ou K-104B). O datasheet descreve dois programas:

Como cada instrumento recebe um endereço, vários transmissores podem compartilhar o mesmo barramento. Segundo o datasheet, o barramento suporta até 128 endereços; já o READ30 lê até 16 transmissores na mesma ligação. Para quem desenvolve o próprio sistema de aquisição, a KELLER disponibiliza documentação, DLL e exemplos de programação.

E a integração com o CLP?

RS485 define a camada física (dois fios, A e B), não o "idioma" da comunicação. Antes de projetar a leitura direta pelo CLP, confirme com a equipe técnica qual protocolo de comunicação a versão escolhida suporta e se o seu CLP fala esse protocolo. Quando não há essa compatibilidade, a solução mais simples costuma ser usar a saída 4…20 mA para o controle e o RS485 para configuração e diagnóstico.

Transmissor digital ou manômetro com interface?

É comum ver o LEO 3 chamado de transmissor, mas ele é outro tipo de instrumento: o LEO 3 é um manômetro digital inteligente, com visor duplo (pressão em cima, valor da saída analógica embaixo), alimentado pelo próprio laço 4…20 mA e com comunicação RS485. Ele faz o papel de indicador local e de fonte de sinal ao mesmo tempo.

CritérioSérie 33 X / 35 XLEO 3
TipoTransmissor, sem visorManômetro digital com saída
SaídasRS485 + analógica (4…20 mA ou tensão)4…20 mA (2 fios) + RS485
Margem de erro0,05 %FS digital (10…40 °C)< 0,1 %FS a temperatura ambiente; < 0,2 %FS de 0…50 °C
Velocidade400 HzAté 90 medições/s; visor atualiza 2 vezes/s
FaixasDe 1 a 1000 bar (absoluta também em 0,8…1,2 bar)0…4 bar abs, 0…30 bar abs, 0…300, 0…700 e 0…1000 bar
Uso típicoBancadas, aquisição de dados, integração em máquinasPonto que precisa de leitura local e sinal remoto

No LEO 3, os botões frontais dão acesso às funções MAX/MIN (valores máximo e mínimo na parte inferior do visor), RESET (repõe máximo e mínimo para a pressão atual), ZERO SET (define a pressão atual como novo zero), ZERO RES (volta aos valores padrão) e UNITS (bar, mbar/hPa, kPa, MPa, PSI ou kp/cm²). A saída analógica pode ser ajustada pelos botões, em submenu protegido por código, ou pelo PC com PROG30, sem aplicar pressão.

Regra prática: se alguém precisa olhar o valor no local, considere o manômetro com interface. Se o valor vai só para o sistema e a prioridade é precisão e velocidade, o transmissor digital é a escolha mais direta.

Outras séries KELLER com interface RS485

Cuidados antes de especificar

Precisa ler a pressão direto no PC ou definir entre transmissor digital e manômetro com interface? Veja a Série 33 X / 35 X e fale com a equipe técnica da Kelltech para dimensionar a faixa, a saída e a comunicação.

Fale com um especialista e encontre o produto certo para a sua aplicação.Equipe técnica da Kelltech, distribuidora oficial KELLER no Brasil.

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