O síndico pediu o laudo da rede de gás do prédio. O instalador fecha os registros, pressuriza a tubulação, lê um manômetro analógico de 0 a 10 bar no início e no fim do ensaio e escreve "aprovado". Semanas depois, a administradora pergunta quanto a pressão variou durante o teste, e ninguém consegue responder: a variação inteira cabia na espessura do ponteiro. O teste de estanqueidade de gás trabalha com pressões baixas, e é justamente aí que a escolha do instrumento e a forma de registrar decidem se o resultado vale alguma coisa.
A seguir: quando o teste é exigido, o que cada norma cobre, como executar, qual manômetro usar e como montar um laudo com evidência. Para a visão geral sobre registradores, veja o guia completo do manômetro digital com registrador.
Quando o teste de estanqueidade é obrigatório
A obrigatoriedade vem da norma aplicável, do regulamento da distribuidora de gás da sua região e, em alguns casos, de legislação local. Situações que normalmente pedem o ensaio:
- Rede nova, antes da liberação do gás: é a prova de que a execução ficou estanque.
- Reforma, ampliação ou reparo: troca de tubulação, registros ou conexões.
- Inspeção de rede existente: em condomínios e edificações, quando o roteiro de inspeção prevê o ensaio.
- Suspeita de vazamento: cheiro de gás, consumo anormal no medidor ou alarme de detector. Primeiro as medidas de emergência: feche o registro, ventile o ambiente, não acione interruptores e chame a distribuidora. O teste vem depois, para localizar o vazamento e confirmar o reparo.
- Religação ou mudança de condição de uso: quando a distribuidora exige o teste antes de restabelecer o fornecimento.
A lógica vale tanto para gás natural quanto para o teste de estanqueidade em GLP: isolar o trecho, pressurizar com o fluido de teste, aguardar e comprovar que a pressão se manteve dentro do critério definido.
O que dizem as normas (NBR 15526 e NBR 15923)
Duas normas da ABNT aparecem em quase todo laudo de rede de gás:
| Norma | Escopo | Quando você usa |
|---|---|---|
| NBR 15526 | Redes de distribuição interna para gases combustíveis: projeto e execução | Ao construir, ampliar ou reformar a rede; o teste comprova a execução |
| NBR 15923 | Inspeção de rede de distribuição interna de gases combustíveis | Na inspeção de redes existentes, base do laudo pedido por condomínios e administradoras |
É nesses documentos, e no procedimento da distribuidora, que estão os valores que definem o ensaio: pressão de teste, fluido admitido, tempo de estabilização, duração do ensaio e critério de aceitação. Eles dependem do tipo de rede e do trecho testado, e as normas passam por revisões. Por isso não citamos números normativos aqui. Consulte a edição vigente e registre no laudo qual edição e qual item foram seguidos.
Confira também o que o procedimento pede sobre o instrumento de medição: tipo, faixa, resolução e calibração.
Passo a passo do teste
- Planeje com o responsável técnico: trecho, pressão de teste, tempos e critério, a partir da norma vigente.
- Isole o trecho: feche o suprimento de gás e bloqueie aparelhos, reguladores e medidores que não devem receber a pressão de teste.
- Prepare o instrumento: confira o certificado de calibração e a faixa. Nas faixas piezorresistivas do LEO Record até 61 bar absolutos (como -1…3 bar e -1…30 bar), o zero vem ajustado de fábrica em 0 bar absoluto; faça o ZERO SET com o instrumento aberto para a atmosfera antes de conectar.
- Configure o registro: intervalo curto (por exemplo, 1 s ou 5 s) e dados da instalação gravados no instrumento: endereço, prumada, trecho. O início pode ser automático quando a pressão passar de um limite.
- Pressurize devagar até a pressão de teste, com regulador na fonte (ar comprimido ou nitrogênio, conforme o fluido admitido) e válvula de bloqueio entre a fonte e a rede.
- Estabilize: a compressão aquece o gás. Aguarde o tempo de estabilização previsto antes de tomar a leitura inicial.
- Feche a fonte e conte o tempo: com a válvula de bloqueio fechada, acompanhe o ensaio pelo visor sem mexer na rede.
- Se a pressão cair, localize: espuma nas juntas, conexões e registros; corrija e repita o ensaio desde o início.
- Despressurize com controle, pare o registro, descarregue os dados no computador e guarde o arquivo original.
Segurança: ar e nitrogênio comprimidos armazenam energia. Mesmo em pressões baixas, um tampão ou conexão mal fixado pode ser projetado. Nunca use oxigênio para pressurizar: em contato com óleo ou graxa, ele pode causar ignição. Use ar comprimido ou nitrogênio, conforme o fluido admitido no procedimento, e não pressurize com o gás combustível para o ensaio de estanqueidade. Nunca pressurize direto do cilindro sem regulador, use dispositivo de alívio na linha de pressurização e confira que a pressão de teste não passa da faixa nem da sobrepressão do instrumento (confira no datasheet a sobrepressão da faixa escolhida; nas faixas capacitivas ela é bem menor que nas piezorresistivas). Sinalize a área e siga o procedimento definido pelo responsável técnico.
Qual manômetro usar: faixa, resolução e registro
Em geral, a precisão de um manômetro digital é dada em % do fundo de escala (%FS). Em pressões baixas, um instrumento de faixa larga tem erro e resolução maiores que a própria variação que você quer detectar. Veja as opções do LEO Record, com dados do datasheet KELLER:
| Faixa | Sensor | Resolução | Precisão | Uso no teste de gás |
|---|---|---|---|---|
| 30 mbar | Capacitivo | sob consulta | ±0,2 %FS (10…40 °C) | Pressões de teste abaixo de 30 mbar |
| 100 mbar | Capacitivo | sob consulta | ±0,2 %FS (10…40 °C) | Pressões de teste de algumas dezenas de mbar |
| 300 mbar | Capacitivo | sob consulta | ±0,2 %FS (10…40 °C) | Pressões de teste de até algumas centenas de mbar |
| -1…3 bar | Piezorresistivo | 1 mbar | ±0,1 %FS (0…50 °C) ≈ ±3 a 4 mbar | Ensaios na casa de 1 bar; sobrepressão de 10 bar |
| -1…30 bar | Piezorresistivo | 10 mbar | ±0,1 %FS (0…50 °C) ≈ ±30 a 31 mbar | Pouco indicado para gás em baixa pressão |
Nas faixas piezorresistivas, o erro em mbar foi estimado sobre o fundo de escala superior (3 bar e 30 bar) e sobre o span (4 bar e 31 bar), daí o intervalo; use o valor maior para não subestimar. Nas faixas capacitivas, confirme com a nossa equipe o erro em mbar e a resolução da faixa escolhida.
Exemplo (valores ilustrativos, não normativos): imagine um procedimento que peça teste a 1 bar e reprove quedas acima de 10 mbar. Com a faixa -1…30 bar, o critério inteiro equivale a um único dígito do visor e é menor que o erro do instrumento. Com a faixa -1…3 bar, o mesmo critério corresponde a dez dígitos de 1 mbar, e o gráfico mostra com clareza se a pressão caiu 4 mbar ou 12 mbar. Para ensaios em dezenas de mbar, a versão capacitiva é a escolha natural; veja sensor piezorresistivo ou capacitivo para baixa pressão.
Temperatura e pressão atmosférica pesam mais do que parece
Com o gás confinado, a pressão absoluta varia cerca de 0,34 % por °C na faixa de 20 °C. Em números:
- Rede a 1 bar manométrico (≈ 2,01 bar absolutos): 2,01 × 0,0034 ≈ 7 mbar por °C.
- Rede a 50 mbar (≈ 1,06 bar absolutos): 1,06 × 0,0034 ≈ 3,6 mbar por °C.
Em baixa pressão, um grau de variação pode ser maior que toda a queda admitida. A correção pela temperatura, com exemplo resolvido, está em por que a pressão cai no teste sem ter vazamento.
A pressão atmosférica pesa de forma diferente conforme a referência do sensor:
- Referência relativa (manômetro analógico, LEO Record capacitivo PR): a leitura é a diferença entre a pressão interna e a atmosférica. Se o barômetro variar 2 hPa durante o ensaio, a leitura muda 2 mbar sem nenhum vazamento.
- Sensor absoluto (faixas piezorresistivas do LEO Record até 61 bar absolutos): o ZERO SET fixa a referência no início do ensaio, então a leitura acompanha a pressão absoluta do gás confinado e não oscila com o barômetro.
Em qualquer caso, anote a pressão atmosférica no início e no fim e diga no laudo qual referência foi usada. A diferença entre as referências está em pressão absoluta, manométrica e diferencial.
Registro em vez de anotação
O manômetro registrador LEO Record mede a pressão uma vez por segundo, grava pressão e temperatura (precisão típica de 0,5 °C, medida no próprio instrumento) e guarda tudo em memória não volátil. Com intervalo de 1 s cabem cerca de 57.000 leituras, o que dá aproximadamente 15,8 horas de ensaio; com 5 s, cerca de 3,3 dias. Para ensaios de minutos a poucas horas, sobra memória.
Sobre áreas classificadas: a versão LEO Record Ei possui certificação ATEX (europeia) e não possui certificação Inmetro. O uso em áreas classificadas no Brasil depende de certificação Inmetro, então consulte nossa equipe antes de especificar.
Como montar o laudo com evidência do teste
Um laudo de estanqueidade de gás defensável responde a seis perguntas: onde, segundo qual norma, em que condições, com qual instrumento, o que foi medido e quem assina.
- Identificação: endereço, unidade ou prumada, trecho testado e croqui.
- Referência normativa: norma, edição e item do procedimento seguido.
- Condições do ensaio: fluido de teste, pressão de teste, tempos de estabilização e de ensaio e critério de aceitação, todos transcritos do procedimento.
- Instrumento: modelo, faixa, referência (relativa ou absoluta com ZERO SET), número de série e número e data do certificado de calibração.
- Evidência: gráfico de pressão e temperatura ao longo do tempo, tabela com data e hora de cada leitura, valores inicial e final, variação calculada e pressão atmosférica no início e no fim.
- Resultado e responsabilidade: aprovado ou reprovado, correções feitas, nome e registro profissional do responsável técnico, com ART ou TRT quando aplicável.
O arquivo lido pelo Reader já traz número de série, intervalo de medição, dados da instalação e cada valor com data e hora, e pode ser exportado para Excel. A estrutura do nosso modelo de relatório com gráfico de pressão serve de base também para o ensaio de gás.
Sobre a calibração: a Kelltech emite certificado de calibração rastreado, mediante solicitação — veja como funciona a calibração de manômetros digitais.
Erros comuns que invalidam o resultado
- Faixa grande demais: a queda admitida fica menor que a resolução ou o erro do instrumento.
- Esquecer o ZERO SET em instrumento com zero absoluto: a leitura fica deslocada em cerca de 1 bar, a pressão atmosférica.
- Contar o tempo antes da estabilização: o gás aquecido na pressurização esfria e a pressão cai sem vazamento.
- Deixar a fonte conectada e aberta: o regulador repõe o gás e esconde o vazamento.
- Ignorar sol e temperatura: um trecho aparente que passa da sombra para o sol muda a leitura em vários mbar.
- Aparelhos e reguladores na rede: o vazamento pode estar no aparelho, e componentes podem ser danificados pela pressão de teste.
- Calibração vencida ou número de série que não confere entre instrumento, certificado e laudo.
- Só duas anotações ou foto do visor sem horário: nada prova o que aconteceu durante o ensaio.
- Valores "de memória": pressão e tempo copiados de laudo antigo ou de edição revogada da norma.
Vai montar o kit para os seus testes de estanqueidade? Conte para a nossa equipe a pressão de teste, o tipo de rede e como o laudo é cobrado, e indicamos a faixa e a versão certas do LEO Record, com certificado de calibração rastreado se você precisar. Fale com um especialista da Kelltech.
Fale com um especialista e encontre o produto certo para a sua aplicação.Equipe técnica da Kelltech, distribuidora oficial KELLER no Brasil.
