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Teste de pressão com nitrogênio em refrigeração e ar-condicionado: guia prático com registro

O instalador termina a tubulação de um VRF com doze evaporadoras, pressuriza com nitrogênio no fim da tarde e volta na manhã seguinte. O manômetro do manifold marca menos do que marcava na véspera. Vazamento? Ou foi a madrugada fria na cobertura? Sem dado de temperatura, a discussão com o cliente começa ali, e muitas vezes termina com horas de espuma em solda que estava boa.

O teste de pressão com nitrogênio em refrigeração existe para provar que a tubulação de campo está estanque antes do vácuo e da carga de fluido. Este guia é para quem instala VRF, chillers e câmaras frias: como conduzir um teste de 24 horas, separar queda real de efeito térmico e entregar a prova ao cliente.

Por que pressurizar com nitrogênio seco

Nitrogênio seco é inerte, não carrega umidade e não alimenta combustão:

Teste pneumático guarda energia

Gás comprimido acumula muito mais energia que água na mesma pressão; se uma solda romper, a expansão é violenta. Use sempre regulador no cilindro (a pressão do cilindro é muitas vezes maior que a de teste) e válvula de alívio ajustada acima da pressão de teste e abaixo do limite do sistema. Isole a área durante a pressurização e enquanto o sistema estiver sob pressão, e defina um responsável técnico pelo procedimento. Em casa de máquinas, lembre que o nitrogênio liberado desloca o oxigênio: despressurize para área ventilada.

Pressão e duração do teste: quem define é o fabricante do equipamento

Não existe um número único. Pressão de teste, tempo de espera e critério de aceitação vêm do manual de instalação do fabricante do equipamento (e do projeto, quando ele pede algo além) e dependem do fluido e do tipo de sistema. Anote no relatório de onde saiu cada valor. No manual, confira:

Escolha da faixa do manômetro

Antes de tudo, confira a pressão de teste no manual: em sistemas com fluidos de alta pressão ela pode passar de 30 bar, e aí a faixa descrita abaixo não serve.

Para julgar quedas de décimos de bar, o instrumento precisa enxergar centésimos. O LEO Record na faixa -1…30 bar cobre pressões de teste com folga abaixo de 30 bar e ainda lê vácuo relativo. A folga é necessária porque o sol aquece a linha e a pressão sobe: 28 bar estabilizados a 32 °C chegam a cerca de 29,7 bar se o gás aquecer até 50 °C. As especificações dessa faixa:

Especificação (faixa -1…30 bar) Datasheet O que significa no teste
Resolução 10 mbar Mostra variações de 0,01 bar
Erro total (0…50 °C) ±0,1 %FS Cerca de ±0,03 bar em toda a escala
Sobrepressão 60 bar Proteção contra excesso acidental, não faixa de uso
Temperatura Registrada com a pressão, precisão típica 0,5 °C Permite corrigir o resultado
Memória ~57.000 leituras (intervalo ≤ 15 s) 24 h a cada 10 s = 8.640 leituras
Trabalho / proteção 0…50 °C / IP65 Instrumento à sombra, nunca no sol da cobertura
Conexão G 1/4" (outras sob encomenda) Precisa de adaptador para a válvula de serviço

Se o manual pedir mais de 30 bar, ou um valor colado nesse limite, essa faixa não serve: os 60 bar de sobrepressão protegem o sensor, mas não são faixa de medição. A próxima faixa padrão, 0…300 bar, tem resolução de 100 mbar e erro de cerca de ±0,3 bar, grosseira demais para esse julgamento. Consulte a equipe sobre faixas sob encomenda.

Passo a passo do teste com registro

  1. Configure antes de ir para a obra. No software Logger da KELLER (módulo Writer), escolha o intervalo: com 10 s, 24 horas ocupam 8.640 leituras e a memória dura cerca de 6,6 dias, folga para um teste que se estenda. Grave no instrumento os dados da instalação (obra, sistema, circuito). Se quiser, programe o início quando a pressão passar de um limite; veja as opções em registro por intervalo ou por evento.
  2. Zere na atmosfera. Na faixa -1…30 bar, o zero de fábrica é o vácuo absoluto (faixas acima de 61 bar abs ou com sensor relativo já vêm zeradas na atmosfera). Com o instrumento aberto para o ar, use a função ZERO SET: a partir daí ele lê pressão manométrica, como o manifold.
  3. Monte o ponto de medição com um adaptador firme entre a conexão G 1/4" e a válvula de serviço, e teste a montagem com espuma. Conexão provisória vazando é a causa mais boba de teste reprovado.
  4. Posicione as válvulas conforme o manual, inclusive solenoides e válvulas de expansão eletrônica.
  5. Pressurize pelo regulador, em etapas se o manual pedir. Em cada degrau, acompanhe o visor por alguns minutos: queda rápida no degrau baixo é vazamento grosseiro, que se acha antes de subir mais.
  6. Feche e desconecte o cilindro. Com o regulador ligado, o cilindro repõe o que vaza e o teste não prova nada.
  7. Espere estabilizar. A compressão aquece o gás, e a pressão cai nos primeiros minutos enquanto ele esfria até a temperatura do tubo. A pressão inicial do teste é a leitura estabilizada.
  8. Proteja o instrumento: à sombra, dentro de 0…50 °C, fora do caminho de quem circula. O IP65 dá conta de poeira e respingos, mas o instrumento não deve ficar submerso.
  9. Descarregue e analise no módulo Reader: gráfico de pressão e temperatura e exportação para o Excel, onde você faz a correção pela temperatura (fórmula abaixo).
  10. Despressurize com controle, para área ventilada, antes do vácuo.

Lendo o resultado: queda real x efeito da temperatura

Com volume praticamente constante, a pressão absoluta do nitrogênio varia cerca de 0,33% por °C na faixa ambiente. Perto de 28 bar, isso dá aproximadamente 0,1 bar por grau. A explicação completa está em por que a pressão cai no teste sem ter vazamento; aqui vai a aplicação direta.

Pcorrigida = (Pfinal + Patm) × Tinicial / Tfinal − Patm
pressões em bar, temperaturas em kelvin (°C + 273,15), Patm ≈ 1,013 bar ao nível do mar

Exemplo resolvido

Exemplo hipotético: 28,00 bar estabilizados às 15h, com o registrador marcando 32 °C. Às 7h do dia seguinte, 19 °C.

Com manifold e duas anotações, os dois casos parecem iguais: "caiu mais de 1 bar durante a noite". Com pressão e temperatura no mesmo arquivo, a diferença aparece.

O formato da curva também fala

Um cuidado: a temperatura registrada é a do sensor do instrumento, no ponto de conexão. Em VRF, a tubulação passa por forro, shaft e cobertura, cada trecho com sua temperatura. Dê mais peso aos períodos de temperatura estável e, em linhas muito expostas, meça também a temperatura do tubo em pontos representativos.

E o vácuo? O LEO não substitui o vacuômetro de mícrons

O LEO Record na faixa -1…30 bar lê pressão negativa, mas com resolução de 10 mbar. Como 1 mbar equivale a cerca de 750 mícrons de mercúrio, cada dígito do visor representa uns 7.500 mícrons. O nível de vácuo e o teste de retenção pedidos pelos fabricantes (em geral em mícrons, às vezes em Pa ou Torr) exigem um vacuômetro de mícrons.

O registrador pode, no máximo, documentar de forma grosseira que o sistema foi colocado em vácuo e não voltou em direção à pressão atmosférica. Se não for registrar essa etapa, retire o instrumento antes de evacuar: toda conexão extra é um ponto a mais de vazamento.

Registrador x manifold: o que cada um prova

O manifold continua sendo a ferramenta para pressurizar, evacuar e carregar. O registrador é a prova do teste:

Pergunta do cliente ou da fiscalização Manifold analógico com anotação Manômetro registrador
Qual era a pressão no início e no fim? Sim, se alguém anotou Sim, com data e hora
O que aconteceu durante a madrugada? Não há registro Cada leitura no intervalo configurado
A queda foi temperatura ou vazamento? Sem dado de temperatura Pressão e temperatura no mesmo arquivo
O teste durou o tempo pedido? Depende da palavra do técnico Início e fim gravados
Qual instrumento mediu? Raramente identificado Número de série no arquivo
O vácuo atingiu o nível do manual? Não: use vacuômetro de mícrons Não: use vacuômetro de mícrons

Outra vantagem: tirar o manifold durante as 24 horas elimina mangueiras e engates do volume em teste, e cada um deles seria um possível ponto de vazamento.

Checklist de entrega para o cliente

O modelo de relatório com gráfico de pressão serve de base também para o teste com nitrogênio. Sobre a calibração: a Kelltech emite certificado de calibração rastreado, mediante solicitação, junto com a compra ou como serviço — veja como funciona a calibração de manômetros digitais. Para ver o registrador em outros tipos de teste, consulte o guia do manômetro digital com registrador.

Vai entregar um VRF ou uma câmara fria com teste documentado? Conte para a nossa equipe a pressão de teste do manual, a duração e o tipo de sistema, e indicamos a faixa e os acessórios do LEO Record para o seu caso. Fale com um especialista da Kelltech.

Fale com um especialista e encontre o produto certo para a sua aplicação.Equipe técnica da Kelltech, distribuidora oficial KELLER no Brasil.

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