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Teste hidrostático de tubulação: procedimento passo a passo e como registrar o resultado

A linha de aço carbono ficou cheia d'água desde o almoço e o fiscal do cliente quer acompanhar o teste hidrostático de tubulação. A bomba sobe a pressão, alguém anota "15,0 bar – 15h10" numa folha e a equipe vai embora. Na manhã seguinte o manômetro marca 14,6 bar e começa a discussão: vazamento, temperatura ou erro de leitura? Ninguém sabe responder, porque ninguém viu o que aconteceu durante a noite.

Este passo a passo cobre o teste como ele é feito em campo e mostra em que pontos o registro contínuo de pressão e temperatura evita o reteste e a discussão. Para a visão geral do instrumento, veja o guia do manômetro digital com registrador.

O que o teste hidrostático comprova: resistência e estanqueidade

Um mesmo ensaio responde a duas perguntas diferentes:

A água é o fluido preferido porque praticamente não se comprime: armazena pouca energia e, se algo romper, a pressão cai de imediato. Ar ou nitrogênio na mesma pressão acumulam muito mais energia, e uma falha pode lançar fragmentos. Teste pneumático exige procedimento específico, área isolada e responsável técnico; não é atalho para o hidrostático.

Equipamentos necessários

Item Função Cuidado
Bomba de teste Elevar a pressão de forma controlada Reduzir a vazão perto da pressão final
Manômetro registrador Gravar pressão e temperatura com data e hora Faixa adequada e calibração em dia
Válvula de alívio Proteger contra sobrepressão acidental Ajuste acima da pressão de teste e abaixo do limite do componente mais fraco, conforme o procedimento
Respiros nos pontos altos Expulsar o ar no enchimento Acesso seguro e bloqueio em cada um
Drenos nos pontos baixos Encher e esvaziar a linha Destino definido para a água
Flanges cegos e tampões Isolar o trecho em teste Classe de pressão compatível
Mangueiras e adaptadores Ligar bomba e instrumentos à linha Pressão nominal igual ou maior que a de teste; o LEO Record tem conexão G 1/4"

O relatório vale tanto quanto o instrumento que gerou os dados. A Kelltech emite certificado de calibração rastreado, mediante solicitação — veja como funciona a calibração de manômetros digitais.

Procedimento passo a passo

O procedimento da obra define os valores; a sequência de campo é esta:

  1. Isole o trecho. Instale flanges cegos e tampões, e retire ou bloqueie o que não pode receber a pressão de teste: instrumentos, válvulas de controle, juntas de expansão. Marque pontos altos e baixos no isométrico.
  2. Instale e programe o registrador antes de encher, no ponto previsto no procedimento. O ponto baixo vê a pressão do ponto alto mais a coluna d'água: cada 10 m de desnível somam cerca de 1 bar.
  3. Encha pelo ponto baixo, devagar, com os respiros abertos. Enchimento rápido aprisiona ar nas curvas e pontos altos.
  4. Purgue o ar. Feche cada respiro só quando sair água contínua, sem bolhas. Após uma pressurização baixa, abra-os de novo: sempre sai mais ar.
  5. Espere a estabilização térmica. Enquanto água e tubo não estão na mesma temperatura, a pressão anda sozinha.
  6. Pressurize em patamares. Exemplo: 50%, 75% e 100% da pressão de teste, com pausa e inspeção à distância em cada degrau. Se algo ceder, cede numa pressão menor.
  7. Isole a bomba e inicie o tempo de espera. Uma retenção passando na bomba mascara ou simula vazamento.
  8. Aplique o critério de aceitação do procedimento: variação de pressão admitida, considerando a temperatura, e ausência de vazamento visível.
  9. Despressurize devagar e abra os respiros antes de drenar, para não criar vácuo na linha.
  10. Descarregue os dados e monte o relatório com o gráfico. Use o modelo de relatório de teste hidrostático como base.

Exemplo: configurando o LEO Record para um teste de 24 horas

No software Logger da KELLER (módulo Writer), uma configuração que funciona bem no LEO Record:

Como ler o gráfico

No módulo Reader, os dados viram gráfico e podem ser exportados para Excel. O desenho da curva conta a história:

Pressão de teste e tempo de espera: de onde vêm esses números

Não existe um par "pressão e tempo" universal. Os valores saem de três fontes:

  1. A norma do tipo de sistema. Exemplos: NBR 5626 para instalações prediais de água fria e quente, NBR 13714 para hidrantes e mangotinhos, NBR 10897 para sprinklers e, para tubulações no escopo da NR-13, essa norma regulamentadora, com o profissional legalmente habilitado (PLH) definindo o teste. Consulte sempre a edição vigente e veja o que a NR-13 exige e como documentar o teste.
  2. A especificação do projeto e do cliente, que costuma fixar a pressão de teste em relação à pressão de projeto e definir o critério de aceitação.
  3. Os limites dos componentes: classe de flanges e válvulas, pressão nominal dos tubos, PMTA de equipamentos que fiquem na linha. A pressão no ponto mais baixo não pode passar do limite do item mais fraco.

O material também muda a leitura. Em PEAD o tubo se deforma lentamente sob pressão e a queda faz parte do comportamento normal, como explicamos em teste de pressão em tubulações de PEAD.

Por que registrar em vez de anotar

Duas anotações dizem quanto a pressão caiu, não por quê. E é o "por quê" que decide entre aprovar, investigar ou repetir. Repetir significa reencher, purgar, esperar a estabilização e cumprir de novo todo o tempo de espera, com o fiscal presente. O registro contínuo muda essa conversa:

Erros que reprovam um teste bom

Ar na linha

Bolsões de ar se comprimem: a pressão demora a subir e depois cai enquanto o ar se acomoda e se dissolve. O teste parece vazar sem vazar. A correção é purgar de novo pelos pontos altos e repressurizar.

Temperatura

Em tubulação rígida cheia d'água, pouca variação de temperatura já move a pressão o suficiente para reprovar. Proteja a linha do sol, espere a estabilização e registre a temperatura. A que o LEO Record grava é a do sensor, no ponto de conexão: mostra bem a tendência, mas em linhas longas ou enterradas vale medir também a parede do tubo.

Faixa errada

A precisão é dada em % do fundo de escala, então o erro máximo admitido, em bar, é o mesmo em qualquer ponto da escala e pesa mais quando a leitura fica longe do fundo de escala. Exemplo com pressão de teste de 15 bar:

Faixa do LEO Record Resolução Erro (±0,1 %FS) Para um teste de 15 bar
-1…30 bar 10 mbar ±0,03 bar Enxerga variações de centésimos de bar
0…300 bar 100 mbar ±0,3 bar Uma queda de 0,2 bar aparece como só 2 dígitos e fica dentro da margem de erro: não dá para concluir nada
0…1000 bar 100 mbar ±1 bar Inadequado

Escolha a menor faixa que cubra a pressão de teste com folga. Nunca conte com o limite de sobrepressão (60 bar na faixa de -1…30 bar) para medir acima da faixa: ele protege o sensor contra danos, não amplia a medição.

Zero e bloqueios

Esquecer o ZERO SET numa faixa ajustada em pressão absoluta soma cerca de 1 bar (a pressão atmosférica) a todas as leituras. Um bloqueio passando entre bomba e linha faz a pressão escapar pelo lado da bomba. Um checklist antes de pressurizar evita os dois.

Vai documentar o próximo teste hidrostático? Informe a pressão de teste, a duração e o tipo de tubulação, e indicamos a faixa certa do manômetro registrador LEO Record e os acessórios para o seu ponto de medição. Fale com a equipe técnica da Kelltech.

Fale com um especialista e encontre o produto certo para a sua aplicação.Equipe técnica da Kelltech, distribuidora oficial KELLER no Brasil.

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