A rede de sprinklers do galpão está montada, o forro fecha na semana que vem e o cliente já marcou a vistoria do Corpo de Bombeiros. Antes disso, alguém precisa provar que a tubulação segurou a pressão de ensaio pelo tempo exigido, sem perder água. Em muitas obras, o teste hidrostático em rede de hidrantes e sprinklers ainda é documentado com duas anotações numa folha: pressão no início, pressão no fim, assinatura. Quando o vistoriador ou o fiscal da construtora pergunta o que aconteceu no meio, não há resposta.
Aqui o foco é a rede de incêndio: normas, procedimento de campo, monitoramento da bomba jóquei e documentação para a vistoria. O procedimento geral, válido para qualquer tubulação, está no nosso passo a passo de teste hidrostático de tubulação.
Quando o teste é exigido: obra nova, reforma e manutenção
Na rotina de uma instaladora de SPCI, o ensaio aparece em três situações:
- Obra nova: antes de a tubulação ser coberta, enterrada, isolada ou escondida por forro. Em obras grandes, é comum ensaiar por trechos e fazer um ensaio final antes do comissionamento.
- Reforma e ampliação: trechos novos ou alterados, troca de válvulas, mudança de layout de sprinklers em retrofit de lajes corporativas e lojas.
- Manutenção: depois de reparos, da troca de trechos corroídos ou quando há sinais de vazamento, como a jóquei partindo mais que o habitual.
Em quais casos o ensaio é obrigatório, com qual pressão e por quanto tempo, quem define são a norma aplicável, a instrução técnica do Corpo de Bombeiros do seu estado e o projeto. O responsável técnico assina pelo sistema; o registro arquivado é o que sustenta essa assinatura se alguém questionar depois.
O que as normas pedem e o que conferir na edição vigente
Duas normas da ABNT cobrem a maior parte das redes de incêndio prediais e industriais: a NBR 13714, para sistemas de hidrantes e mangotinhos, e a NBR 10897, para sistemas de chuveiros automáticos (sprinklers). Além delas, cada estado tem suas instruções técnicas; em São Paulo, as ITs do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar (CBPMESP).
Pressão de ensaio, duração e critério de aceitação variam entre edições e tipos de sistema. Não confie em valores "de cabeça" nem em planilhas antigas: abra a edição vigente da norma e a IT aplicável antes do plano de teste. Roteiro do que procurar:
| O que conferir na norma / IT / projeto | Por que importa para o registro |
|---|---|
| Como a pressão de ensaio é definida | Define a faixa do manômetro e o limite que dispara o início do registro |
| Duração do ensaio e período de estabilização | Define o intervalo de registro e quanto da memória será usado |
| Critério de aceitação (queda admissível, vazamentos visíveis) | Define o que o gráfico precisa demonstrar no relatório |
| Componentes que devem ser isolados (bombas, pressostatos, alarmes, equipamentos que não suportam a pressão de ensaio) | Evita danos e resultados falsos por válvula passando |
| Ponto onde a pressão deve ser verificada | Em redes verticais, a cota do manômetro muda a leitura |
O último item merece atenção em edifícios altos. A coluna de água soma cerca de 0,098 bar por metro de desnível. Em uma prumada de 60 m, o manômetro instalado na base lê 60 × 0,098 ≈ 5,9 bar a mais que um instalado no topo, com a rede inteira na mesma condição. Registre no relatório a cota do ponto de medição e confira em que ponto o procedimento aplicável manda verificar a pressão de ensaio.
Procedimento passo a passo
Antes de pressurizar
- Monte o plano de teste: trecho ensaiado, pressão de ensaio e referência (norma, IT ou projeto, com a edição), duração, critério de aceitação e responsável técnico.
- Isole o que não deve receber a pressão de ensaio: bombas, pressostatos, chaves de fluxo e qualquer componente cujo fabricante não admita a pressão. Instale tampões nos pontos abertos.
- Encha devagar, pelo ponto mais baixo, e purgue o ar pelos pontos altos. Ar retido é compressível: faz a pressão demorar a subir, distorce a curva e armazena energia que torna a despressurização perigosa.
- Prepare o registrador: faça o zero, configure o intervalo de registro, grave no instrumento os dados da instalação (obra, trecho, cota) e programe o início automático para quando a pressão passar de um limite.
Durante o ensaio
- Pressurize em etapas com a bomba de teste, inspecionando juntas e acoplamentos a cada patamar.
- Espere a estabilização térmica. Água praticamente não se comprime: poucos graus de diferença entre a água e a tubulação mudam bastante a pressão, sobretudo em trechos ao sol na cobertura. Veja os números em por que a pressão cai no teste sem ter vazamento.
- Conte o tempo de ensaio conforme o procedimento aplicável (em geral, a partir da pressão estabilizada) e faça a inspeção visual de todas as juntas enquanto o registrador trabalha.
- Despressurize lentamente, descarregue os dados e gere o gráfico antes de desmontar o ponto de teste: se algo estiver estranho, você ainda está no local.
Se o procedimento de um sistema de tubo seco ou de pré-ação previr ensaio com ar, lembre que gás comprimido armazena muito mais energia que água na mesma pressão: isole a área, pressurize aos poucos e siga o procedimento do responsável técnico.
Configuração sugerida do LEO Record para redes de incêndio
Para pressões típicas de redes de hidrantes e sprinklers, a faixa de -1…30 bar do manômetro registrador LEO Record costuma ser a escolha natural. Os dados abaixo vêm do datasheet oficial da KELLER:
| Item | Configuração / especificação |
|---|---|
| Faixa | -1…30 bar, resolução 10 mbar, sobrepressão 60 bar. Se a pressão de ensaio passar de 30 bar, a próxima faixa padrão é 0…300 bar (resolução 100 mbar; erro total de ±0,3 bar), dez vezes maior: consulte a equipe sobre faixas sob encomenda |
| Erro total (0…50 °C) | ±0,1 %FS, cerca de ±0,03 bar na faixa de 30 bar |
| Zero | Faixas até 61 bar absolutos saem de fábrica com zero no vácuo absoluto: use o ZERO SET com o instrumento aberto para a atmosfera antes do ensaio |
| Intervalo de registro | 5 s comporta cerca de 3,3 dias de memória. Exemplo: um ensaio de 2 h a cada 5 s gera 7.200 ÷ 5 = 1.440 leituras |
| Início | Programado por horário ou por pressão acima de um limite (ex.: assim que a rede passar de 3 bar) |
| Temperatura | Registrada junto com a pressão (precisão típica 0,5 °C), medida no instrumento, no ponto de conexão |
| Conexão e proteção | G 1/4" (outras sob encomenda), aço inox AISI 316L, IP65; prepare o adaptador para o dreno ou a válvula de teste |
A sobrepressão de 60 bar dá margem contra um descuido na bomba de teste, mas não é faixa de trabalho: escolha a faixa pela pressão de ensaio. Mais critérios de escolha estão no guia completo de manômetro digital com registrador.
Monitoramento contínuo: partidas da bomba jóquei e quedas de pressão
Depois da entrega, o mesmo instrumento ajuda a manutenção predial a responder: por que a jóquei está partindo tanto? A bomba jóquei mantém a rede entre dois pontos de ajuste do pressostato. Sem vazamento, a pressão cai devagar e as partidas são raras. Válvula passando, dreno mal fechado, junta ou sprinkler gotejando aumentam a frequência.
Instalado na rede por alguns dias, o registrador desenha uma curva em dente de serra: cada descida é perda de pressão e cada subida é uma partida da jóquei, com data e hora. Um exemplo hipotético:
- Exemplo, antes do reparo: pressão cai de 10,0 para 9,0 bar em 40 min e a jóquei leva 2 min para recuperar. Ciclo de 42 min: 1.440 min ÷ 42 ≈ 34 partidas por dia.
- Exemplo, depois do reparo: a mesma queda leva 8 h. Ciclo de cerca de 8 h: 3 partidas por dia.
O gráfico também separa causas. Pressão que sobe nas horas de sol e cai mais rápido no fim da tarde e à noite, quando a cobertura esfria, indica efeito térmico somado à perda. Partidas concentradas no expediente sugerem alguém abrindo hidrantes ou drenos. A temperatura registrada é a do instrumento: se ele estiver na casa de bombas, ela não representa os trechos expostos ao sol.
Com registro a cada 10 s, a memória cobre cerca de 6,6 dias. Para campanhas mais longas, o registro por evento, gravando só quando o nível de pressão muda, economiza memória sem perder as partidas. Entenda as opções em registro por intervalo ou por evento.
Dois limites honestos. O instrumento mede uma vez por segundo: o golpe de aríete na partida ou parada da bomba principal dura milissegundos, e o registro mostra a consequência, não o pico. E o LEO Record é um instrumento de campanha; para supervisão permanente com alarme remoto, o caminho são transmissores de pressão ligados ao sistema predial.
Documentação para a vistoria
O que cada vistoriador pede varia, mas um dossiê bem montado responde a qualquer questionamento. Inclua:
- identificação do sistema e do trecho ensaiado, com a cota do ponto de medição;
- pressão de ensaio, duração e critério adotados, com a referência (norma, IT, projeto e edição);
- data e hora de início e fim, tiradas do próprio arquivo do registrador;
- gráfico de pressão e temperatura x tempo, mais a tabela exportada para Excel;
- modelo, número de série, faixa e certificado de calibração do instrumento;
- resultado comparado ao critério, fotos do ponto de teste e assinatura do responsável técnico, com a ART ou RRT correspondente.
O arquivo do LEO Record já traz número de série, intervalo de medição, dados da instalação e cada leitura com data e hora, gravados em memória não volátil. Para montar o documento, use o modelo de relatório de teste hidrostático com gráfico de pressão.
Sobre a calibração: a Kelltech emite certificado de calibração rastreado, mediante solicitação — veja como funciona a calibração de manômetros digitais.
Vai ensaiar ou monitorar uma rede de incêndio? Conte para a nossa equipe a pressão de ensaio, a duração e o tipo de sistema, e indicamos a faixa e a configuração do LEO Record, com certificado de calibração rastreado se você solicitar. Fale com um especialista.
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